21 janeiro, 2008

O uso de antioxidantes na prevenção da doença



Os antioxidantes têm sido promovidos como terapêutica preventiva em diversas situações. Dados epidemiológicos têm, de facto, mostrado uma forte relação inversa entre a ingestão de antioxidantes, ou alimentos ricos nesses nutrientes e o risco de cancro e doença cardiovascular isquémica.
A avaliação da terapia com antioxidantes em humanos tem geralmente dado resultados desanimadores. Até à data, os resultados publicados de ensaios aleatórios e controlados de suplementos com antioxidantes não têm proporcionado uma clara evidência de efeito benéfico.
Resultados de grandes ensaios multicêntricos mostraram que os suplementos antioxidantes nem sempre foram eficazes para reduzir a incidência de cancro ou problemas cardiovasculares,
particularmente em doentes de alto risco.
Não têm confirmado o efeito benéfico potencial, e alguns deles têm mesmo sugerido efeitos negativos para a saúde.
Alguns autores argúem que a falha na demonstração do benefício com os antioxidantes é devida a dose inadequada, à duração do tratamento ou ao tipo de antioxidantes.
Os resultados positivos dos ensaios observacionais podem sugerir que os antioxidantes sejam marcadores para outro factor que proporcione benefício. Em geral, os melhores
resultados dos antioxidantes foram observados em estudos epidemiológicos com derivados da dieta. Não se sabe se esses efeitos benéficos podem ser especificamente atribuídos
aos antioxidantes identificados nesses alimentos; podem ser necessários os variados nutrientes encontrados nos alimentos ricos em antioxidantes, que actuariam sinergicamente,
proporcionando os efeitos protectores.
A quantidade de antioxidantes nos suplementos pode ser tão elevada, comparada com a dieta, que leva a um efeito tóxico.
No desenho dos estudos será importante considerar os estilos de vida. Na interpretação de estudos prospectivos de coortes, os enviesamentos são inerentes à selecção de participantes;
por exemplo, as pessoas que consomem grandes quantidades de frutos e vegetais tendem a ter um estilo de vida saudável. Os resultados positivos dos estudos observacionais poderiam estar relacionados com este estilo de vida.
Os estudos observacionais realizam-se na população geral, enquanto muitos ensaios são efectuados em doentes de alto risco. É possível que, pela idade e características ligadas
ao risco, esses indivíduos sejam menos susceptíveis à redução dos problemas cardiovasculares.
Tendo em conta o aumento da mortalidade com altas doses de betacaroteno e recentemente com a vitamina E, o uso de suplementos com doses altas deve ser desaconselhado até existir evidência de eficácia, documentada por ensaios clínicos bem concebidos. Devem ser considerados todos os riscos possíveis dos suplementos, especialmente no doente crónico.
O papel exacto dos suplementos com antioxidantes na prevenção da doença não está estabelecido. Os antioxidantes não devem ser utilizados por rotina numa população
com uma alimentação variada.
Assim sendo, as actuais recomendações indicam que a estratégia mais segura e eficaz na prevenção e tratamento de doenças associadas às lesões oxidativas continua a ser a manutenção de uma dieta variada, rica em frutos e vegetais, ricos em nutrientes antioxidantes e outros fitoquímicos.
O farmacêutico recomendará uma dieta equilibrada e estilos de vida saudáveis com exercício moderado, sobriedade no consumo de álcool e evitando o tabaco.

Aurora Simón (Conclusão de um estudo publicado no Boletim do CIM - 2005)

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