23 fevereiro, 2008

Actividade Física e Hipertensão

Dentro das medidas não farmacológicas de tratamento para a Hipertensão Arterial Sistémica (HAS), a actividade física tem sido amplamente recomendada. Diversos estudos tem provado que o treino físico é capaz de diminuir a pressão arterial de indivíduos hipertensos. No entanto, deve-se ter em conta a adequação do treino físico para esse fim, ou seja, pôr em prática as características do treino físico que têm um efeito hipotensor.
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Estudos epidemiológicos têm demonstrado uma relação inversa, entre a pressão arterial e o nível de actividade física habitual ou o nível de condicionamento físico do indivíduo. Entre os hipertensos têm sido demonstrada que o treino físico, diminui significativamente a pressão arterial de repouso, em média na ordem de 10 mmHg, tanto da pressão sistólica quanto da diastólica, nos casos de HAS leve. Os efeitos do treino sobre a pressão arterial de 24 horas é, até o momento, controverso com poucos estudos e resultados contraditórios.
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Mecanismo de acção hipotensora
Os mecanismos de redução da pressão arterial são múltiplos, complexos e ainda não totalmente esclarecidos. São basicamente mecanismos hemodinâmicos, neurais e hormonais.
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Mecanismos hemodinâmicos: Redução da resistência vascular periférica decorrente de um estado de vasodilatação induzida pelo exercício; Redução do débito cardíaco, pela diminuição da frequência cardíaca basal e por uma possível redução do volume plasmático dos indivíduos hipertensos treinados.


Mecanismos neurais: Redução da actividade simpática, que explicaria as alterações hemodinâmicas de vasodilatação periférica e bradicardia. O mecanismo é ainda desconhecido mas sugere-se um aumento dos níveis de prostaglandina E e redução dos níveis de insulina.
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Mecanismos hormonais: Redução da actividade da renina plasmática foi observada em alguns trabalhos. Outras substâncias como o factor "ouabain-like" e a taurina também podem estar envolvidos, necessitando ainda novas investigações para avaliar a real contribuição desses factores.
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Prescrição de exercícios
Para que o exercício traga benefícios ao hipertenso deve-se programar o tipo, intensidade, frequência e duração do treino físico.



Tipo de exercício: O exercício dinâmico aeróbico reduz a pressão arterial, comprovado científicamente, sendo considerado o mais adequado para o hipertenso. A sobrecarga de pressão imposta ao sistema cardiovascular durante a realização de exercícios isométricos (estáticos) e a efectividade duvidosa desse tipo de exercício como agente hipotensor desencorajou este tipo de exercício para o hipertenso. No entanto, actualmente tem sido recomendado que os exercícios aeróbicos sejam complementados por exercícios localizados, realizados também de forma dinâmica com baixa intensidade e grande número de repetições (ver adiante em intensidade do exercício). Dessa forma obtém-se uma maior integridade do sistema músculo-esquelético e um aumento da força muscular que levaria a uma diminuição da sobrecarga diária ao coração, por redução da Frequência Cardíaca e da Pressão Arterial durante os esforços da vida quotidiana.
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Intensidade do exercício: O exercício leve a moderado, possui um efeito hipotensor semelhante ou mesmo superior ao exercício intenso e a pressão arterial aumenta menos durante a sua execução. Aconselha-se que o exercício aeróbico de intensidade adequada para a redução da pressão arterial, é aquele que atinge de 50 a 70% do VO2 Max. Esse valor pode ser deduzido pela FC de reserva calculada pela fórmula:
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FC treino = (FC Max - FC repouso) X % intensidade (50 a 70) + FC repouso
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Para os exercícios localizados recomenda-se o uso de 40 a 50% da carga máxima voluntária com grande número de repetições (20 a 25).
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Frequência do exercício: Para que haja algum efeito hipotensor é recomendável uma frequência mínima de 3 vezes por semana. Frequências de exercícios semanais maiores produzem maior efeito hipotensor. Quanto a exercícios localizados recomenda-se a frequência de 3 sessões semanais.
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Duração do exercício: Possui relação directa com a condição física do indivíduo. Tempos maiores de exercício (40 minutos) são mais eficazes que períodos curtos de exercício (10 minutos) para obter o efeito hipotensor. Recomenda-se que o exercício aeróbico tenha de 30 a 45 minutos de duração.
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Referência:


Mano, Reinaldo, 5 de Abril de 1999- Manuais de Cardiologia.

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