24 Junho, 2008

Miopatias inflamatórias


As patologias exclusivamente musculares são raras e na maioria das vezes são acompanhadas ou confundidas, com distúrbios neurológicos associados ao sistema músculo-esquelético.
Nos músculos, como em todos os tecidos, existem doenças hereditárias, infecções, distúrbios metabólicos dos componentes físicos e químicos do tecido muscular, tumores, infecções e aquilo que se chama efeito secundário no tecido muscular decorrente de uma causa primária (por exemplo, o que acontece nos músculos de pessoas diabéticas).
F. L. Mastaglia e colaboradores, do Centro de Doenças Neuromusculares, da Universidade de Western Austrália, afirmam que existem 3 tipos de miopatias originárias de alterações do sistema imunológico ou também chamadas de miopatias reumáticas, uma vez que, causam sintomatologia semelhante às doenças reumáticas. Estas miopatias são a dermatomiosite, polimiosite e a miosite por inclusão que, em inglês, é chamada de inclusion-body myositis.
A biopsia do músculo faz o diagnóstico dessas doenças indicando as variedades dependendo das células presentes, em maior número, podendo, pois, serem classificadas em miopatia eosinofílica, granulomatosa ou parasítica e quando existe a presença de macrofagos, passa ter o nome de miofascite macrofágica (pois ataca o músculo e sua fascia). O hemograma comum para a pesquisa de anticorpos antimiosite não é um bom auxiliar de diagnóstico, mas pode monitorizar a evolução do tratamento e até o prognóstico da doença., pelo contrário, a ressonância magnética revelou-se de grande auxilio no diagnóstico, principalmente da miosite por inclusão. O tratamento destas patologias de etiologia desconhecida, é feito com anti-inflamatórios inicialmente, depois com corticoides, o uso de imunossupressores, imunoglobulina (essa por via endovenosa), ou a combinação dessas medicações, são um tratamento de último recurso. Alguns medicamentos novos estão a ser prescritos no tratamento das miopatias, tais como, mofetil e tacrolimus.
Os autores afirmam ainda, que os progressos no conhecimento da biologia molecular destas patologias raras, permitirão produzir fármacos mais eficientes para o seu combate.
Muscle Nerve 2003 Apr;27(4):407-25

1 comentário:

Marco Aurélio Nogueira disse...

Prezado Dr. Bruno:
acabo de ler seu texto sobre Miopatias inflamatórias. Tenho miosite por inclusão, diagnóstica por biópsia há 1 ano e meio. O neurologista que me acompanha não julga ser o caso de me medicar, baseado na constatação de que este tipo de miopatia não responde aos corticoides nem aos imunossupressores. Faço fisioterapia com um especialista, e na minha avaliação os exercícios têm me ajudado bastante em termos posturais, mas não produziram qualquer efeito sobre a fraqueza muscular ou sobre a atrofia.
Chamou-me atenção, no seu texto, a referência a alguns medicamentos novos que "estão a ser prescritos no tratamento das miopatias, tais como, mofetil e tacrolimus". Gostaria de saber se existem mais informações a respeito dele. E, também, se o senhor tem obtido alguma resposta em termos de tratamento mediante a Osteopatia.
Sou brasileiro e resido em São Paulo, 59 anos.

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