05 outubro, 2008

O que fazer perante a gota úrica

Existem várias doenças, tratamentos e condições clínicas que se associam ao aumento do ácido úrico (AU) no sangue. A obesidade e o abuso de álcool são as situações clínicas que mais frequentemente encontramos associada à hiperuricémia (aumento de ácido úrico). Na mesma linha das perturbações do metabolismo, estes doentes apresentam muitas vezes diabetes, hipertensão arterial, hiperlipidémia e aterosclerose.

O aumento do AU também pode ser secundário a doenças dos rins (p.ex. insuficiência renal), das glândulas (p.ex. hipotiroidismo), da pele (p.ex. psoríase) e do sangue (p.ex. leucemias e linfomas) bem como ao uso de certos fármacos (p.ex. aspirina em doses baixas, diuréticos, tuberculostáticos) e ao consumo excessivo de álcool.

A avaliação de um doente gotoso deve basear-se não só nos sempre fundamentais, colheita de uma história clínica completa e realização de exame físico adequado, mas também num conjunto de análises laboratoriais, hematológicas e bioquímicas, e no estudo radiológico das articulações afectadas.

Nas mulheres, a gota úrica (GU) é mais rara e desenvolve-se mais tardiamente sobretudo nos casos em que já existe osteoartrose, hipertensão e insuficiência renal ligeira ou naqueles em que há utilização de diuréticos.

A hiperuricémia, além dos sintomas articulares, pode originar doença nos rins. Entre outras, a mais conhecida manifestação renal associada à hiperuricemia é a litíase (‘pedra’ no rim). O aparecimento de litíase renal relaciona-se com as concentrações de AU no sangue e na urina e com o grau de acidez da urina.

A hiperuricémia sem qualquer sintoma associado só deve ser tratada se houver risco de uma super-produção de AU (p.ex. quimioterapia de tumores) ou quando os níveis sanguíneos e/ou urinários de AU estão particularmente aumentados.

Nas crises agudas de gota, os anti-inflamatórios não esteróides (AINE) e a colchicina são fármacos eficazes. Em doentes que tenham contra-indicações ou efeitos acessórios importantes com estes fármacos podem usar-se corticóides (i.e. derivados da ‘cortisona’). Estes também podem ser usados quando os AINE e a Colchicina não forem eficazes. Contudo, este tratamento é apenas sintomático e se queremos que o doente permaneça sem crises agudas devemos administrar-lhe Alopurinol.

Este medicamento não deve ser iniciado enquanto o doente tiver sinais da crise aguda. Isto é, só deve ser iniciado quando o doente estiver assintomático mas também não deve ser parado se o doente tiver um ataque agudo e estiver com esta medicação. O alopurinol evita a formação de ácido úrico em demasia. Existem também fármacos capazes de estimular o rim a excretar mais ácido úrico na urina, mas não estão disponíveis no nosso país.

Dieta aconselhada

Uma palavra final sobre a dieta aconselhada para a GU. Esta doença associa-se classicamente com a ‘abundância’. De facto, boa parte dos doentes gotosos são ‘bons garfos’ e a maioria das crises agudas começa de noite após um dia de exageros alimentares. Estão identificados alguns alimentos que, pela sua riqueza em purinas, são responsáveis pelo aumento da uricémia.

As carnes jovens, as vísceras dos animais, a caça, o marisco, os peixes sem escama e o chocolate são alguns dos exemplos. No que se refere às bebidas alcoólicas, as mais nocivas nesta situação são o vinho verde, a cerveja, os vinhos generosos, o vinho branco e os destilados. Deve referir-se que raramente se conseguem normalizar os valores sanguíneos do ácido úrico apenas com a dieta adequada, mas esta deve fazer parte do tratamento correcto da gota úrica.

Considerando a frequente associação da obesidade e da hipertensão, estas restrições alimentares associadas à prática regular de exercício moderado podem ser altamente benéficas.

Ref: Prof. Jaime C. Branco
Presidente da Liga Portuguesa Contra as Doenças Reumáticas

Gota Úrica

A gota úrica (GU), ou apenas gota, é uma doença provocada pela deposição de cristais de monourato de sódio (MUS) nos tecidos orgânicos devido à hiperuricemia (aumento dos níveis de ácido úrico no sangue).

Deste estado de saturação úrica, podem resultar uma ou mais das seguintes manifestações clínicas: ataque agudo (artrite) de gota; tofos gotosos (agregado de cristais de MUS que se depositam nas articulações, cartilagens, ossos e tecidos moles; nefropatia (doença renal) gotosa e nefrolitíase (cálculos renais) úrica.Os níveis de ácido úrico (AU) no sangue dependem da idade e do sexo. São maiores nos homens, após a puberdade, e aumentam nas mulheres depois da menopausa. Diz-se que existe hiperuricemia, quando os níveis séricos de AU são superiores a 7 mg/dl no homem e 6 mg/dl na mulher.

A gota é rara nos homens antes dos 30 anos e nas mulheres antes da menopausa. A idade em que ocorre o pico de início da gota é entre os 40 e os 50 anos no homem e após os 60 anos na mulher.

Prevalência de GU

A frequência da GU aumenta com a idade e com concentrações mais elevadas de AU no sangue. A sua prevalência é muito variável entre países e raças, mas andará entre os 5-28 casos por 1000 nos homens e 1-6 casos por 1000 nas mulheres. A relação homem-mulher é de sete ou mais para um. O ácido úrico é o produto final da degradação das purinas que, como veremos adiante, existem com abundância em muitos alimentos.

A hiperuricemia pode aparecer por vários motivos: produção excessiva de uratos, seja endógena (insuficiências enzimáticas que levam ao aumento da produção) ou exógena (dieta com muitos alimentos ricos em purinas); a excreção insuficiente – eliminação anormal dos uratos pelo rim – e os dois anteriores mecanismos combinados. A diminuição da excreção renal do AU pode ser devida a vários medicamentos, nomeadamente a aspirina, os diuréticos e as tuberculostáticos, e ao consumo excessivo de álcool.

Estádios da artrite gotosa

A artrite gotosa tem quatro estádios: hiperuricemia assintomática (ácido úrico elevado no sangue sem qualquer sintoma); crise (artrite) gotosa aguda; período intercrítico (intervalos completamente livres de sintomas existentes entre as crises agudas de gota) e gota tofácea crónica (existência de depósitos de cristais de MUS em diversas localizações).As crises agudas de gota iniciais atingem, habitualmente, apenas uma articulação, com início abrupto durante a noite ou de manhã cedo. A articulação fica extremamente dolorosa, vermelha, quente e inchada. Pode existir febre baixa.

A crise desaparece, mesmo espontaneamente, em três a dez dias, podendo ocorrer descamação da pele sobre a articulação afectada. Depois de um primeiro ataque, só uma pequena parte (menos que 10%) dos doentes não vem a sofrer ataques subsequentes. Com a continuação dos ataques e com o aumento da sua frequência, estes tornam-se poliarticulares e persistem durante mais tempo.

A articulação mais frequentemente atingida pelas artrites gotosas é a da base do primeiro dedo do pé (“joanete”), mas também o grosso do pé, calcanhar, tornozelo, joelho, punho, cotovelo e dedos das mãos podem ser sede de artrite gotosa.

Os tofos gotosos começam a aparecer aproximadamente dez anos após o primeiro ataque, em doentes não submetidos a tratamento. Estes tofos podem ocorrer em qualquer localização.

O diagnóstico certo é feito através da identificação microscópica dos cristais de MUS no líquido das articulações comprometidas ou nos tofos gotosos. Radiologicamente, as imagens podem ser inteiramente normais (durante os primeiros períodos intercríticos), apresentar edema dos tecidos moles periarticulares (durante as crises agudas de gota) ou revelar destruições articulares e ósseas mais ou menos importantes (quando existe gota tofácea crónica).

Prof. Jaime C. Branco
Presidente da Liga Portuguesa Contra as Doenças Reumáticas

Tratamento Osteopático na Osteoartrose



Hoje em dia, o conceito mais ou menos enraizado de que para a Osteoartrose não há respostas terapêuticas e que o melhor é suportar as dores está ultrapassado. Não existe uma terapêutica que possa curar ou inverter uma articulação degenerativa, no entanto, é possível nas fases iniciais, diminuir a dor e a rigidez articular, melhorar os movimentos e a capacidade funcional do paciente proporcionando-lhe uma melhor qualidade de vida. O protocolo terapêutico deverá ser adaptado a cada caso particular, dependendo da gravidade da situação, do numero de articulações afectadas, natureza dos sintomas, idade, ocupação e actividades diárias. Há evidência que o Sulfato de Glucosamina e a Condroitina previnem e não deixam evoluir a doença, o seu uso é portanto recomendado.

TRATAMENTO CLÍNICO OSTEOPÁTICO:

O tratamento da artrose é sintomático tendo como principal objectivo o alivio da dor, a restauração da função articular e a prevenção da incapacidade ou progressão da doença.

• Esclarecimento sobre a doença: salientar que a doença não é sinónimo de envelhecimento e está relacionada com a capacidade funcional, sendo que a intervenção terapêutica trará um aumento de qualidade de vida.

• Motivar e envolver o paciente no seu tratamento. O paciente é um protagonista activo no seu programa terapêutico.

• A prática de exercício deve ser estimulada e orientada por um profissional habilitado. O Osteopata tem conhecimentos de fisiologia, anatomia e biomecânica suficientes para poder aconselhar o seu paciente. Se não se sentir á vontade nesta área deve indicar um outro profissional mais experiente nesta matéria, para que possam trabalhar em conjunto.

Encaminhamento do paciente para um ginásio, onde acompanhado por um profissional devidamente qualificado, possa fazer:


»Exercícios activos com ou sem resistência para combater a hipotrofia. Um músculo forte alivia a carga exigida na articulação.

»Exercícios Aeróbios- Aumenta a capacidade de resistência muscular e devem ser preferencialmente sem impacto (bicicleta estática por ex).

»Alongamentos – A flexibilidade dos tecidos é essencial para combater a rigidez e aderências articulares.

• Orientação para cuidados com relação ao uso de rampas e escadas.

• Orientação com relação à ergonomia do trabalho doméstico e/ou profissional. O Osteopata deve aconselhar o paciente em como pode proteger a/as articulação/articulações na sua vida quotidiana.


ALGUMAS DAS TÉCNICAS USADAS EM OSTEOPATIA SÃO:

- Tracções (intermitentes e livres de dor- sensibilidade do terapeuta).

- Termoterapia e Crioterapia (São formas eficazes de diminuir a dor e a rigidez, ainda que temporariamente.Um banho quente pela manhã poderá melhorar significativamente o sofrimento e a rigidez matinal. A aplicação de frio ( crioterapia ), ajuda a diminuir a sensibilidade local e a reduzir a inflamação e o derrame intrarticular muitas vezes associado.).

- Massagem Profunda
(para eliminar contracturas da musculatura adjacente e respectiva cadeia muscular).

- Mobilizações articulares passivas/ Tracções (Conhecimento anatomia, fisiologia e sensibilidade do Osteopata).

04 outubro, 2008

The Osteopath: BSO launches Masters of Osteopathy degree

The British School of Osteopathy (BSO) has this year replaced its Bachelor of Osteopathy (B Ost) with a Masters Osteopathy (M Ost) degree course, following validation by the University of Bedfordshire.

Applications have commenced for the new four-year integrated degree course, which means that 2010 will, subject to the course’s recognition by the GOsC, see the school’s first graduates of a Masters of Osteopathy. The BSO has recently been inspected by the GOsC, an integral stage
in the process of seeking accreditation (Recognised Qualification status) for the
new course.

According to the BSO, this shift from a Bachelor of Osteopathy degree to a Masters qualification reflects the maturity and calibre of the osteopathic academic community.The new programme has been developed by a BSO working group, comprising the undergraduate course team, senior osteopaths and external consultants, over an 18-month period, and has involved a full curriculum review with the BSO faculty and three recent cohorts of graduates. It has also been informed by good practice in higher education and the Quality Assurance Agency for Higher
Education (QAA) benchmark statement for osteopathy.

The M Ost has a strong clinical focus, with students experiencing patient interactions from the first year of the course. The teaching and learning, though incorporating a theoretical core, reflects the fact that most graduates move into osteopathic clinical practice and therefore require knowledge, skills and attitudes that are of practical value.

Charles Hunt, BSO Principal and Chief Executive, said: “The M Ost is a very exciting development for the BSO. It will be a course that prepares students for becoming osteopaths and providing the best possible care for patients in the 21st century’s changing healthcare arena.”

In The Osteopath

The Osteopath: Europe-wide healthcare for patients

European patients may soon have the right to access healthcare in countries other than their own under proposals announced by the European Commission in July. This draft EU directive intends to provide legal certainty and consistency for patients, member states and healthcare providers, following a series of European Court of Justice rulings concerning access to care.

Although it is likely that NHS services will be most affected by these changes, the proposals could also potentially impact on reimbursement from health insurance companies for osteopathic
treatment that is provided for patients residing elsewhere in Europe.

The GOsC welcomes the development of a clear framework for cross-border care; however, as both patients and healthcare professionals move increasingly within the EU, there is a need for greater patient protection through proper regulation and high standards of treatment.

Currently osteopathy is regulated in only four EU member states – Finland, France,Malta and the United Kingdom. For this reason, national registers and competent authorities came together as the Forum for Osteopathic Regulation in Europe, in 2005, to develop a consensus on standards of osteopathic education, training and practice with the aim of protecting patients and enhancing confidence in osteopathic professionals.

In conjunction with these efforts, in any
future law the GOsC will be calling for:

> a Europe-wide approach to
communication and information
sharing (such as registration and
fitness to practise data) between
member states; and

> regulatory mechanisms across
Europe to ensure standards of
osteopathic care for patients.

The draft directive on cross-border healthcare will now go through the EU’s legislative process, which is estimated to take at least two years, before becoming law.

In The Osteopath
Sarah Eldred, Public & International Affairs Manager

02 outubro, 2008

Osteoartrose

A Osteoartrose (OA) é extremamente prevalente na população em geral: a sua frequência aumenta com a idade, tornando-se quase generalizada a partir dos 70 anos. Predomina nas articulações de carga e nas mãos. O seu aparecimento mais precoce ou em outras articulações sugere que seja secundária a outros processos patológicos, de natureza traumática, inflamatória ou metabólica.

A observação clínica sugere que a etiologia da patologia é multifactorial, ou seja, não existe uma só causa para o aparecimento da doença, mas sim várias causas. A Osteoporose divide-se assim em 2 sub-tipos: Típica e Atípica. Considera-se “Atípica” a OA que surge em indivíduos jovens (antes dos 45 anos), tem instalação rápida ou afecta localizações incomuns (p.ex, ombro, cotovelo, punho, MCF ou tibiotársica. Este tipo de OA é quase sempre secundário a uma outra
causa e obriga à investigação da causa ou causas subjacentes. As causas mais comuns de Osteoartrose atípica são:

  • Fractura com envolvimento da superfície articular
  • Meniscectomia
  • Desvios de eixo
  • Instabilidade articular
  • Corpos estranhos intra-articulares
  • Osteocondrite dissecante
  • Exigências profissionais particulares
  • Necrose asséptica
  • Artrite prévia
  • Diabetes
  • Gota

A Osteoartrose Típica surge de forma progressiva em doentes de meia-idade ou idosos e envolve uma ou mais articulações. O envolvimento poliarticular é a comum, com forte tendência à simetria. Este tipo de OA é, na maior parte das vezes, primária, podendo associar-se um componente de predisposição genética. Algumas profissões constituem factores de risco para OA da CF (mineiros, trabalhadores rurais) ou do joelho (calceteiros,mecânicos). A OA nodular das mãos e a rizartrose é muito frequente, especialmente em mulheres de meia idade e idosas.

Exame Semiológico:

A dor tem origem articular:
• o doente localiza as dores nas articulações, podendo ter irradiação regional;
• o exame objectivo confirma esta origem.

O ritmo de dor é tipicamente mecânico (pode ter características inflamatórias ligeiras nos surtos de agudização).

A instalação é lentamente progressiva, ao longo de meses ou anos.

O exame objectivo é típico:
• crepitação, osteófitos traduzidos por tumefacção focalizada, de consistência dura; limitação de mobilidade, activa e passiva (em fases mais avançadas);
• ausência habitual de sinais inflamatórios (podem observar-se ligeiros sinais inflamatórios nos surtos de agudização).

Os aspectos radiológicos confirmam o diagnóstico:
• perda heterogénea de espaço articular ( ao contrário da perda uniforme de espaço articular sugestiva de artrite);
• esclerose subcondral (ao contrário da osteopenia subcondral típica de artrite);
• geodes e quistos subcondrais; osteófitos.
• Os parâmetros de fase aguda são normais.