07 dezembro, 2008

Espondilite Anquilosante

É uma doença reumática inflamatória que afecta predominantemente as articulações sacroilíacas e a coluna vertebral. O quadro clínico típico é o de uma lombalgia ou sacralgia de ritmo inflamatório associada a rigidez matinal prolongada, que caracteristicamente alivia com o exercício e agrava com o repouso, associada a limitação da mobilidade da coluna lombar e/ou cervical e limitação da expansão torácica. As primeiras manifestações clínicas ocorrem geralmente no final da adolescência ou no início da vida adulta, sendo raras após os 45 anos. A doença ocorre com o triplo da frequência em homens relativamente às mulheres, tendo as manifestações clínicas e radiográficas provavelmente uma evolução mais lenta nas mulheres.

Para além dos sintomas com localização axial, podem surgir manifestações extra-axiais e extra-articulares em associação à EA: artrite periférica, uveíte anterior aguda, perturbações da condução cardíaca, fibrose dos lobos pulmonares superiores, enterite (sintomática ou não), subluxação atlanto-odontoideia anterior, síndrome da cauda esquina, amiloidose secundária. Apesar de a evolução da doença ser variável, muitas vezes origina, para além das dores, deformidades fixas e irreversíveis da coluna vertebral e das articulações coxofemorais, causando incapacidade funcional grave e limitativa precocemente.

Existem bons métodos complementares que auxiliam no diagnóstico, o hemograma, VS, PCR, ANA, factores reumatóides (HLA-B27), R.X, IG's, etc.

Com base na minha actividade clínica, não tenho dúvida que a primeira ajuda que se pode dar a um paciente cujo quadro clínico sugere uma Espondilite Anquilosante, é o esclarecimento e encaminhamento para um Reumatologista. Se o diagnóstico se confirmar existem muitas maneiras de acompanhar o doente. É importante que este cumpra um programa de exercícios respiratórios (manter a maior amplitude de expansão torácica possível ) e posturais, para manter os grupos musculares (principalmente cadeias posteriores) com uma boa hipertrofia, para prevenir a anquilose vertebral de puxar o tronco e fixá-lo em flexão.


Acrescento ainda a minha experiência clínica, que seguindo os princípios Osteopáticos e aplicando aplicando algumas técnicas: 1- articulares (aumentando a mobilidade das articulações afectadas); 2- técnicas aos tecidos moles, promovendo a hipertonia de alguns grupos musculares, alongando e "libertando" outros; 3-  orientando/ aconselhando alguns exercícios, 4- entender o paciente como um todo, na sua dimensão mente/corpo/meio exterior,  tenho tido progressos satisfatórios na generalidade dos casos. Por progresso entenda-se, algum ganho de mobilidade e diminuição do quadro de dor em fases não agudas. É importante salientar que algumas técnicas são contra-indicadas em algumas patologias de origem inflamatória.