05 julho, 2009

Tratamento Osteopático na Disfunção Temporo-Mandibular

Como as causas para a Disfunção Temporo-Mandibular (DTM) são multi-factoriais, o tratamento é algumas vezes multi-disciplinar, podendo envolver a ortodontia, neurologia, reumatologia, osteopatia, podologia e fisioterapia.
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Neste artigo, por razões óbvias, vou apenas desenvolver a abordagem do tratamento osteopático.
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A função do Osteopata (depois de uma anamnese cuidada) é a de avaliar a mobilidade da articulação temporo-mandibular (ATM), palpando restrições articulares e o comportamento dos músculos envolventes. Observa desvios laterais da ATM e faz uma avaliação da mobilidade craniana. Seguindo os princípios e filosofia Osteopática, as disfunções cranianas podem afectar a mobilidade da articulação, isto é, disfunções no osso temporal (rotação) ou no osso esfenóide podem causar disfunção na ATM pelas suas relações anatómicas, como referi no artigo anterior. Como o tratamento Osteopático é mestre na abordagem holística do paciente, as disfunções no sacro são também pesquisadas pela relação sacro/craniana.
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Depois de uma avaliação de todo o complexo articular e mecânico envolvente da ATM (ossos do crânio, ATM, músculos, sacro, mobilidade/restrições), o Osteopata está em condições de perceber onde são as disfunções e fazer um diagnóstico.
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O tratamento é gentil, sem dor e atinge rapidamente o alívio sintomático da dor e o aumento da amplitude articular. A técnica de "Muscle Energy" costuma ser bastante utilizada como tratamento directo, para além das técnicas cranianas. As disfunções do sacro são também tratadas com técnicas directas ou indirectas.
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A Osteopatia permite pensar de uma forma mais abrangente, olhando sempre para as relações estruturais e funcionais das estruturas, considerando um tratamento também ele mais abrangente e mais eficaz.
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Ref: Foundations for Osteopathic Medicine, 2nd

4 comentários:

  1. Boa noite caro colega, vim por este meio como ainda estudante do 3º ano de osteopatia mostrar a minha curiosidade e duvida relativamente a um seguinte aspecto.

    Conheço uma pessoa que me é proxima que lhe foi diagnosticado nevralgia do trigémeo no hospital, a pessoa em questao ja apresentava dores intensas em toda a parte esquerda da face principalmente na tempora, zona ocular e mandibula, anterioremnte de ter ido ao hospital foi ao dentista pensando que a causa fosse algum dente, tendo o dentista encontrado um dente com inflamaçao e este foi retirado, a partir dai, passado um dia o olho esquerdo fechou ligeiramente e foi ai que recorreu ao hospital e foi diagnosticado pelo medico nevralgica do trigemeo, esta pessoa encontra-se agora medica pela receita medica, mas como colega e estudante de profissao queria perguntar-lhe se podera ou nao a causa ser uma disfunçao tempora-mandibular, e saber para alem da terapia cranio-sacral outras tecnicas e metodos na nossa area aconselhado para a resoluçao desta patologia.

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    Cumprimentos e obrigado

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  2. Caro Rodolfo,

    A info que me dá é muito pouca, mas pelo que descreve não é compatível com DTM. A ptose tb não se enquadra na Nevralgia do trigémio uma vez que grande parte das fibras oftálmicas do NT são sensitivas. De qualquer forma os exames de diagnóstico adequados e o Neurologista serão os melhores conselheiros.


    Cumprimentos

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  3. Olá pessoal!

    Ao ler este caso, relatado pelo Rodolfo, identifiquei-me imensamente! Meu problema que, durante anos a fio, foi diagnósticado como "nevralgia do trigêmio" (tudo igual como a amiga do mesmo: dor na têmpora esquerda, problema no olho esquerdo e extracoes de alguns dentes - na esperanca de aliviar o quadro), é realmente, "disfuncao craniosacral" e, somente em abril de 2010, fui examinada por um PHD da Universidade de Frankfurt e entao foi confirmado, contrariando todos os outros diagnósticos.

    O problema está muito acentuado e o proprio médico que me examinou, ficou abismado com a situacao, pois diz que "apesar de ser Professor da Universidade de Frankfurt, setor Buco-Maxilo-Facial, ele viu poucos casos no nível do meu"...

    A verdade é que já nem consigo "viver" (?) com tantas dores, pois elas se espalharam pelo resto do corpo... ele também nao concorda com o diagnóstico de "fibromialgia", como sempre me é dado... é tudo da disfuncao!!!

    Meu relato, tem a finalidade de alertar todas as pessoas com esses sintomas, para que elas nao se conformem com diagnóstico de um ou dois médicos! Apesar de que, eu tenho mais de 50 diagnósticos e, todos falsos... estou doente desde meus nove anos de idade e, tenho vivido uma odisséia, só chegando a um diagnóstico correto, depois de ter pago uma "fortuna" para isso... resultado:

    Agora, com um laudo de 8 páginas nas maos, nenhum outro médico quer ou ousa me tratar, uma vez que fui examinada pelo Dr. Kopp o "papa desta especialidade" (osteopatia)... e, por outro lado, o meu plano de saúde, nao aceita pagar o tratamento, por ser com médicos osteopata (preciso de 6 especialistas... Continuo na "estaca zero", mas, pelo menos sei que nao "sou simulante", como muita gente pensava... sei agora que, fui muito injusticada até mesmo por pessoas da minha familia! Sei também que, servi de cobaia para muitos médicos brasileiros e, principalmente, médicos alemaes e, sobretudo sei que, sou uma pessoa forte e corajosa, porque do contrário, já teria tomado uma dose de alguma coisa e já teria dado cabo desse "mar de dor"... se ser cobaia por tantos anos, para que os médicos que me arrancaram um pedacinho daqui e dali (muitas cirurgias desnecessárias) serviu para experiencia a fim de ajudar a outros pacientes, já me dou por satisfeita!!!

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  4. josé marinho12 dezembro, 2011

    Cara anónima; de facto é preciso muita coragem e muita força de vontade. A mim também me despacharam com a fibromialgia, por três médicos, 2 reumatologistas e um neurologista, fora os outros que só me têm receitado antidepressivos; eles não avaliarem nada bem a questão músculoe-sclética e cotinuo a andar de lado para lado; a desvalorização do diagnóstico e tratamento interdisciplinares é um grande disparate e nós é que sofremos. Coragem!

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