28 fevereiro, 2013

Tamiflu- 4 anos depois...

Embora olhe para algumas 'teorias da conspiração' com algum fascínio e em algumas delas encontra-se a verdade dos factos e a natureza das coisas, não aponto o dedo de imediato ou abro a boca de espanto quando surge uma nova teoria. Tento investigar primeiro. Foi o que fiz hoje e partilho convosco. Saiu uma notícia sobre o Tamiflu, o medicamento usado para controlar a possível pandemia do vírus H1N1 em 2009.

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Diário de Notícias- 2011

Dá conta hoje o Correio da Manhã que o Tamiflu - o medicamento contra a gripe das aves - apodrece em armazém. Foi mais um negócio secreto que custou 22,6 milhões de euros.
Portugal gastou milhões em remédio para gripe. Terão sido usadas apenas 64 mil doses da reserva. A validade, segundo o Correio da Manhã, expira em 2014. E o Ministério da Saúde esconde detalhes do contrato com o laboratório do Tamiflu e não diz qual o destino após a perda de validade.



Pois bem, resolvi fazer umas pesquisas. De facto não percebi qual foi o negócio secreto dos 22,6 milhões, mas também não comprei o Correio da Manhã, mas percebi estes factos: Desde o principio da década de 2000 que a Hoffman-la Roche trabalha numa vacina para o vírus H1N1 e as vende por todo o mundo, de facto, as vendas de 2008 do tamiflu cairam 2% comparativamente com o ano anterior, como mostra esta notícia, ( http://www.rcmpharma.com/actualidade/arquivo/roche-volume-de-negocios-cai-com-tamiflu)

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'Roche: volume de negócios cai com Tamiflu®

22/10/2008 - 09:16

A Roche declarou na passada terça-feira que o volume de negócios do grupo nos primeiros nove meses do ano registou uma queda de 2%, em comparação com o mesmo período do ano passado. A farmacêutica aponta a diminuição das vendas da vacina Tamiflu® como a razão para a queda, noticia o jornal OJE.Foram diversos os países que criaram reservas deste fármaco, utilizado contra a gripe das aves, até ao ano passado, devido ao risco de ocorrência de uma pandemia.Assim, as receitas da farmacêutica suíça caíram para 21,8 mil milhões de euros. No mesmo período do ano anterior, as receitas registadas tinham atingido os 22,2 mil milhões.Durante os primeiros nove meses de 2008, todas as áreas de negócio da Roche registaram quebras nas vendas, excepto a Divisão de Diagnóstico, que registou um crescimento de 4%.As maiores fontes de receitas da Roche vêm da Divisão Farmacêutica e da Roche Pharmaceuticals.Com estes resultados, a Roche manteve as previsões para este ano fiscal, durante o qual as vendas deverão registar uma subida inferior a 10%.A farmacêutica avançou ainda que mantém o objectivo de adquirir os 44% que não detém na norte-americana Genetech, para impulsionar as vendas'
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mas em 2009, o ano seguinte à 'queda', o ano da suposta pandemia, as vendas aumentam 2 mil milhões de francos, em relação ao ano homónimo, conforme os objectivos da empresa.

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Key figures in millions of CHF
Six months ended 30 June% change% changeAs % of
sales
As % of
sales
20092008In CHFIn LC120092008
Sales24,00622,004+9+10
Operating profit before exceptional items7,9707,041+13+2033.232
Operating free cash flow6,7784,806+41+5228.221.8
Net income4,0515,732-2916.926
Net income attributable to Roche shareholders (before exceptional items)5,2134,713+11
Core Earnings per share (CHF)6.325.75+10+20
1 LC= local currencies

Outlook substantially raised

  • Full-year 2009 sales in both divisions expected to grow well ahead of market.
  • Double-digit Core EPS growth expected in 2009 and 2010 (at constant exchange rates).
  • Group will use strong operating free cash flow to repay net debt; expects to repay 25% of debt by end of 2010 and to return to a positive net cash position by 2015.
  • Continuation of dividend guidance.

Pharmaceuticals Division growth twice as fast as market

  • Pharma sales grow 11% in local currencies (11% in Swiss francs) — twice the global market rate — driven by leading oncology medications, Tamiflu (influenza), Pegasys (hepatitis) and Lucentis (ophthalmology).
  • Operating profit (before exceptional items) up 19% in local currencies and 13% in Swiss francs.
  • Sales of Tamiflu account for four percentage points of Pharma sales growth; total Tamiflu production capacity (including third-party manufacturers) to be expanded to 400 million packs annually by start of 2010.
  • Avastin receives accelerated approval in the US for the treatment of glioblastoma, the most aggressive form of brain tumour.
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Agora surge esta notícia no correio da manhã, o que certamente não espanta muita gente, mas a verdade é que já há 2 anos, no Canadá, como noticiado na CBC ( http://www.cbc.ca/news/health/story/2011/05/22/tamiflu-documentary-conflict.html), uma agência de saúde pública e peritos independentes anunciaram que as recomendações da farmacêutica foram largamente exageradas e ( o mais grave) põem em dúvida a eficácia da vacina: 

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A CBC documentary, which was broadcast on The National on Monday night, reports that certain other researchers in Canada, Italy, Britain and the U.S. are now challenging the claims by Roche that Tamiflu can significantly reduce complications or hospitalizations due to the flu.
The documentary also raises concerns about possible side effects surrounding the drug — strange behaviours and psychiatric delusions — that some countries, Japan in particular, have reported.
Using freedom of information requests, the investigation found hundreds of similar cases in Canada and the U.S., which were reported to health authorities but have not been made public.

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Nas minhas pesquisas descobri sites com declarações de peritos, que afirmam que a vacina é eficaz apenas em 1% dos infectados. Num estudo patrocionado pela Alfred P. Sloan, uma empresa filantrópica, afirma que a eficácia é de 69%:

Lancet Journals

Efficacy and effectiveness of influenza vaccines: a systematic review and meta-analysis

Prof Michael T Osterholm PhD a , Nicholas S Kelley PhD a, Prof Alfred Sommer MD b, Edward A Belongia MD

Summary
 

Background

No published meta-analyses have assessed efficacy and effectiveness of licensed influenza vaccines in the USA with sensitive and highly specific diagnostic tests to confirm influenza.

Findings

We screened 5707 articles and identified 31 eligible studies (17 randomised controlled trials and 14 observational studies). Efficacy of TIV was shown in eight (67%) of the 12 seasons analysed in ten randomised controlled trials (pooled efficacy 59% [95% CI 51—67] in adults aged 18—65 years). No such trials met inclusion criteria for children aged 2—17 years or adults aged 65 years or older. Efficacy of LAIV was shown in nine (75%) of the 12 seasons analysed in ten randomised controlled trials (pooled efficacy 83% [69—91]) in children aged 6 months to 7 years. No such trials met inclusion criteria for children aged 8—17 years. Vaccine effectiveness was variable for seasonal influenza: six (35%) of 17 analyses in nine studies showed significant protection against medically attended influenza in the outpatient or inpatient setting. Median monovalent pandemic H1N1 vaccine effectiveness in five observational studies was 69% (range 60—93). 

Interpretation

Influenza vaccines can provide moderate protection against virologically confirmed influenza, but such protection is greatly reduced or absent in some seasons. Evidence for protection in adults aged 65 years or older is lacking. LAIVs consistently show highest efficacy in young children (aged 6 months to 7 years). New vaccines with improved clinical efficacy and effectiveness are needed to further reduce influenza-related morbidity and mortality. 
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A Alfred P. Sloan, juntamente com a Rockefeller, são 2 das grandes empresas filantrópicas que subsidiam estudos científicos em quase todas as áreas da ciência e tecnologia. A Roche é uma das beneficiadas com esses fundos para pesquisas de vacinas, entre outros.

O que quero dizer depois disto tudo? Eu tive supostamente a gripe das aves. Tomei Benuron e fiquei uma semana em casa. Parte dos especialistas dizem que é fundamental a vacinação contra a gripe comum nas populações de risco. Contra o vírus H1N1 o anti-viral aconselhado é o Tamiflu. Bem, os efeitos secundários possíveis são muitos ( náusea, vómitos, diarreia, tonturas, dores abdominais, bronquite, tosse, vertigem, etc.) e será que salva mesmo vidas? Ou é um esquema para as grandes farmacêuticas e empresas fazerem dinheiro? O meu primeiro impulso sempre foi e há-de ser confiar na natureza humana, mas estou na dúvida quanto às vantagens de países gastarem milhões de euros em vacinas para agora estarem armazenadas, com a data a expirar, para além da dúvida se a maioria das pessoas pode beneficiar com esta vacinação. Antes de qualquer vacinação deve prevenir e promover a sua saúde estimulando o sistema imunitário. Como? Com suplementos de vitamina D e C. Evitando o açúcar. Comendo mais alho, cebola e frutos vermelhos. Tome zinco, probióticos e equinácia. Evite o stress. Durma bem. Procure andar bem consigo, entender e resolver quaisquer conflitos interiores. Encontrando-se, fazendo o que gosta.

Boas leituras!!!

21 fevereiro, 2013

Gil Hedley: Fascia and stretching: The Fuzz Speech


Gil Hedley, Ph.D., fala da importância das fáscias e da importância do movimento/ alongamentos na manutenção das propriedades elásticas e fléxiveis dos tecidos.

19 fevereiro, 2013

Capsulite adesiva ou "Ombro Congelado"





A região do ombro é formada por articulações sinoviais e  fisiológicas. É a combinação dos movimentos coordenados destas 4 articulações, que permite ao ombro uma amplitude de movimentos maior que qualquer outra articulação do corpo. Destas 4 articulações há uma que permite uma ampla mobilidade e é por isso considerada a mais móvel e menos estável do complexo articular. Tem o nome de articulação gleno-umeral. É a sua forma e a cápsula frouxa e fina que permitem esta amplitude e instabilidade articular.
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A capsulite adesiva ou ombro congelado é dos síndromes dolorosos do ombro, o que mais tem suscitado controvérsias, tanto no diagnóstico como na terapêutica. Isto deve-se à etiologia complexa, confusa, muitas vezes desconhecida e às semelhanças clínicas com outras patologias directa ou indirectamente relacionadas com o ombro. Inclusivamente, Neer (1990/1992) afirma que, por estar associado a várias patologias, o Ombro Congelado deve ser considerado “mais um sintoma do que uma entidade clínica definida”.
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Como referi anteriormente, a Capsulite Adesiva (CA) não é a única causa para a rigidez dolorosa do ombro, esta pode estar presente noutras patologias que afectam as mesmas estruturas do seu complexo mecanismo articular. São elas as bursites subacromiais, as tenossinovites da longa porção do bicípete, a osteoartrose da gleno-umeral, etc. Dito isto, nem sempre o grau de limitação de amplitude articular é suficiente para fazer um diagnóstico correcto de CA.
"A descrição das alterações articulares progressivas da CA em quatro estádios característicos esclarece a evolução do processo. No estágio I chamado pré-adesivo, há reacção inflamatória sinovial; no estágio II, chamado sinovite adesiva aguda, há sinovite proliferativa e início do colabamento das paredes dos recessos articulares e aderências da cápsula na cabeça do úmero; no estágio III, chamado maturação, há regressão da sinovite e franco colabamento do recesso axilar; e no estágio IV, chamado crónico, as aderências estão maduras e, retraídas, restringem fortemente os movimentos da cabeça do úmero em relação à glenóide. Nos estágios II, III e IV os espaços entre as superfícies articulares da cavidade glenóide e a cabeça do úmero, bem como, o espaço entre o bicípete e o úmero estão muito reduzidos." (Ferreira e Filho, CA, p. 566).
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A classificação proposta por Zuckerman et al divide a CA em primária ou idiopática, quando não há causa aparente e secundária, quando se identifica uma possível causa ou há associação com outras patologias (tenossinovite, bursite, patologias do SNC ou SNP, fracturas, patologias cardíacas, pulmonares, diabetes, tiróide, entre outras).
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A grande diversidade de condições clínicas às quais pode estar associada a CA, justifica a controvérsia sobre a etiopatogenia. Neviaser, Simmonds e De Palma afirmam que a fibrose que provoca retracção da cápsula é de origem inflamatória, mas vários estudos indicam que a natureza da lesão que provoca a retracção capsuloligamentar é, ou pode ser, multifactorial. Seja qual for a sua origem, a retracção capsular é o denominador comum da Capsulite Adesiva.
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A CA é uma patologia mais frequente no sexo feminino, na faixa etária dos 40 aos 60 anos, porém, sem preferência para lado e dominância (Ferreira e Filho). A dor, de início insidioso que se agrava rapidamente, é o primeiro sintoma da doença que progride em três fases.
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A primeira fase, chamada aguda ou hiperálgica, tem início insidioso, mas em pouco tempo a dor diuturna no ombro cresce em intensidade, podendo ser acompanhada de fenómenos vasculares como sudorese palmar e axilar. A dor aumenta durante a noite e com frequência perturba o sono. A mobilidade do ombro é muito dolorosa e os movimentos de abdução, de rotação interna e externa rapidamente perdem sua amplitude. Esta fase pode durar entre 2 a 6 meses (Reeves, Ferreira e Filho).
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A segunda fase é chamada de enrijecimento ou congelamento. A dor diminui de intensidade, deixa de ser contínua, mas persiste à noite e à tentativa de mobilização do ombro que se apresenta rígido e com bloqueio da abdução e das rotações interna e externa. Esta fase pode durar 12 meses (Reeves).
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A terceira fase, ou de descongelamento, é caracterizada pela libertação progressiva dos movimentos e pode levar vários meses, entre 9 a 24. "É a restauração da elasticidade
cápsulo-ligamentar perdida que, em muitos casos, pode acontecer de forma espontânea. Entretanto, a completa recuperação da mobilidade do ombro é de difícil previsão porque a intensa fibrose capsular pode não ser completamente reversível na CA de longa duração". (Ferreira e Filho).
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O Tratamento Conservador engloba fisioterapia, anti-inflamatórios, bloqueios anestésicos do nervo supra-espinal, manipulação sob anestesia ou cirurgia.
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A Osteopatia tem muito para oferecer na melhoria desta sintomatologia tão complexa. O tratamento clínico osteopático aborda a patologia de uma forma holística, actuando nos vários sistemas que indirecta ou directamente estão envolvidos. A recuperação dos pacientes pode em alguns casos ser diminuída para 3 a 6 meses e para isso o Osteopata utiliza uma série de técnicas manuais que podem permitir uma recuperação mais rápida que a convencional. Porém, deixo a ressalva que a recuperação é muito subjectiva, podendo ser frustrante tanto para o paciente como para o Osteopata.
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O tratamento engloba:
Mobilizações articulares, tracções axiais permitindo informações neurológicas através dos mecanoreceptores, activando o gate-control, retorno venoso/ linfático e quebra de aderências, técnicas para  tecidos moles e respectivas fáscias de toda a região periférica.. Na fase adequada são também prescritos exercícios passivos, activos/ assistidos ou activos (na fase de "Descongelamento").
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Importa referir novamente, que cada caso tem uma evolução diferente, uma condição clínica específica e por isso prognósticos diferentes, dependendo do estado da patologia e acima de tudo de um diagnóstico clínico correcto. Relembro que o Osteopata vê o paciente como um todo e procura um raciocínio que relaciona todas as partes do corpo humano contribuintes para os sintomas. Até agora, o meu melhor resultado foi a resolução de um ' ombro congelado' em 15 tratamentos.

04 fevereiro, 2013

Palestra: " Tratamento Osteopático na 3ª idade"


Fui dar uma palestra à Universidade Sénior de Oeiras no âmbito do protocolo entre esta e a clínica Navegantes. Falei sobre as diferenças e as complementaridades da Osteopatia com o tratamento convencional. Abordei temas como o envelhecimento, os princípios Osteopáticos e expliquei a relação do corpo como um todo na sua procura constante de equilíbrio.

A sala estava cheia e foi muito gratificante. Obrigado! :)