23 julho, 2015

Caso clínico

Paciente do sexo feminino, cirurgia a um meningioma cervical (C1) há 2 anos.
Limitação/ dor na flexão e rotação cervical, cefaleia occipital, neuralgia facial (região auricular e temporal).
Meses após cirurgia notou alterações na proprioceptividade inconsciente, ie, apenas na posição de decúbito dorsal reparou (na realidade o esposo foi o primeiro a reparar) que os membros inferiores ficavam afastados da linha média do corpo.
Raciocínio Osteopático:
As meninges e com particular importância a ''mãe'' destas, a dura-mater, anastomosa-se com a fáscia dos músculos occipitais e na sua passagem pelo foramen magno começa a formar 2 camadas. A camada interna forma uma membrana fascial que envolve o encéfalo e divide a cavidade craniana em septos. 2 destes septos envolvem o cerebelo- a tenda do cerebelo e a foice cerebelar. O cerebelo é o ''mini-cérebro'' da proprioceptividade, da coordenação, do equilíbrio, do acerto de movimento.
Restrições (fibrose) no tecido conjuntivo meningeo, como consequência da cirurgia e do próprio meningioma, criaram uma interface meningea (cervical e cerebelosa) mais rígida e por isso com menos fluídez na sua relação com o tecido nervoso. Estes fenómenos podem provocar alterações sinápticas nas células neurais do cerebelo, ou seja, possíveis alterações na proprioceptividade do paciente.
Tratamento Osteopático: 
Mobilização neuromeníngea cervical, craniana e dorsal. Mobilização articular e miofascial cervical e dorsal.
Resultado: 
Ao fim de 3 tt os membros inferiores (novamente não foi a paciente a primeira a notar) ficavam alinhados com a linha média. Tanto na marquesa, como na cama. De salientar que fizemos vários testes em decúbito dorsal com os olhos da paciente fechados.
Osteopathy rules!